quarta-feira, 29 de junho de 2011

Carregou-os no ombro:
os degraus, unidos numa ripa vertical
Trouxe à frente da lua e alçou-se.
Subitamente tocava-a.
Lá, abaixo, sabia que não lhe havia lugar:
O frio da lua, mais quente que a rua.
Lençol alvo, um canto imundo.
Não o querem mais.
Lá do alto, a lua.
A lua...

terça-feira, 21 de junho de 2011


Abriu o dia cedo.

Sol lancinante cerrou a visão.

Bote no rio seco não faz travessia.

Foi com os pés machucados à sombra que estava do lado de lá.

Não emitiu um grunhido, um suspiro, um grito, um apelo, sequer um pedido.

Seguiu mais só que o sol: os dois sós.

No meio do caminho...

Caiu.

Virou-se para o seu companheiro solitário.

Abriu os olhos queimados.

Uma sombra surgiu.

E esta estendeu-lhe amizade com a mão:

Muito agradecido e com os olhos umidecidos...

uma gota caiu...

e molhou a travessia seca transformando-a em rio.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Grande a sinfonia do coração sobre o metal!

Passos leves sobre os trilhos,

Os compassos vêm de dentro, sabendo que será o último ruído.

Leve andas sobre os trilhos,

O som distante anuncia...

Está chegando a hora de findar o ruído!

Chegando.

Sinfonia interna acelera a batida.

Aproxima!

Barulho último sobre os trilhos!
primavera nos países árabes,
15M na espanha,
25% dos gregos já foram às ruas para mostrar sua indignação com as exigências do fmi
o povo sírio faz o conselho nacional para tirar Bashar Assad.

um paulistana lendo tudo isso no trem lotado chora de emoção pelo nosso mundo e engole calada suas indignações.

católicos casam...

percepções heterodoxas sondam a mente,

difícil manter o diálogo.

resolvi apenas perguntar.

assim calei minha voz irônica que não parava de falar.

e num esforço sobre humano mostrei interesse pelo ritual.

domingo, 19 de junho de 2011


caminho até o ponto é perigoso, sobe e desce rua escura.

nunca estando só, segue com seu bom pingente pendurado.

acolhe mulheres, espanta pivetes. 

sai cedo, volta tarde

esconde a face e a identidade,

sofre por amor,

do amor já tem vergonha,

mais um que se espanta, uma voz apressada agradece

o estado afetuoso aparece e vai embora como veio:

rápido.

sobe,

sobe,

não olha para trás pois a voz já se foi.

caminho escuro para encontrar um lar