"Na trincheira dos fonemas esquecidos
Um alguém capta teus tons
Une com alguns conhecidos
Distorce uns antigos
E faz de um pobre amor
Um triste estribilho.
A palavra formada,
Seu dono a joga na calçada.
Ela,
sozinha,
sem saber onde ir,
perdida,
sem quem a ouvir,
é atropelada.
E o vestígio da sílaba calcada,
rastejante no asfalto,
busca, em desespero,
algum ouvido,
para que ela faça,
mesmo esmagada,
algum sentido."
ex-abruptos
terça-feira, 16 de julho de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
quarta-feira, 20 de julho de 2011
saraucos
disse eu a meu rapaz:
nada de jaz
eu sou seu cais
um porto nada seguro
onde a onda vem e vai
num segundo
vem, vem cá meu rapaz.
meu rapaz prolixo então me disse:
você queria um homem
tens um rapaz
eu queria um porto seguro
não pretendes ser o meu cais
navego mares obscuros
procuro tesouros, encontro jamais
tens o silvo suave das serenas
mas a busca é um engano palpável e sagaz
travo batalhas para provar
o que não é minha culpa não escapar
quem sabe se eu fosse pirata
poderia então te encantar
escorbuto na boca, espada a brilhar
ir contra o que é certo só aceito
se aquela que é errada me amar
nada de jaz
eu sou seu cais
um porto nada seguro
onde a onda vem e vai
num segundo
vem, vem cá meu rapaz.
meu rapaz prolixo então me disse:
você queria um homem
tens um rapaz
eu queria um porto seguro
não pretendes ser o meu cais
navego mares obscuros
procuro tesouros, encontro jamais
tens o silvo suave das serenas
mas a busca é um engano palpável e sagaz
travo batalhas para provar
o que não é minha culpa não escapar
quem sabe se eu fosse pirata
poderia então te encantar
escorbuto na boca, espada a brilhar
ir contra o que é certo só aceito
se aquela que é errada me amar
sexta-feira, 15 de julho de 2011
poema do olo.
o mar pedra azul
te levei pra navegar
o mar disse não.
o mar coração
tão dopado de razão
não sabe amar
o mar poesia
cantou minha partida
voz de sereia
te levei pra navegar
o mar disse não.
o mar coração
tão dopado de razão
não sabe amar
o mar poesia
cantou minha partida
voz de sereia
quarta-feira, 29 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Abriu o dia cedo.
Sol lancinante cerrou a visão.
Bote no rio seco não faz travessia.
Foi com os pés machucados à sombra que estava do lado de lá.
Não emitiu um grunhido, um suspiro, um grito, um apelo, sequer um pedido.
Seguiu mais só que o sol: os dois sós.
No meio do caminho...
Caiu.
Virou-se para o seu companheiro solitário.
Abriu os olhos queimados.
Uma sombra surgiu.
E esta estendeu-lhe amizade com a mão:
Muito agradecido e com os olhos umidecidos...
uma gota caiu...
e molhou a travessia seca transformando-a em rio.
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