terça-feira, 16 de julho de 2013

"Na trincheira dos fonemas esquecidos
Um alguém capta teus tons
Une com alguns conhecidos
Distorce uns antigos
E faz de um pobre amor
Um triste estribilho.

A palavra formada,
Seu dono a joga na calçada.

Ela,
sozinha,
sem saber onde ir,
perdida,
sem quem a ouvir,
é atropelada.

E o vestígio da sílaba calcada,
rastejante no asfalto,
busca, em desespero,
algum ouvido,
para que ela faça,
mesmo esmagada,
algum sentido."

terça-feira, 23 de abril de 2013

Na linhagem externa da família

A combinação monetária não havia

Mas isso não importava à pele

indiferente e atrevida;

Que, num sopro de vida,

deu adeus ao banco e ao bolso

Tomou pelo braço seu moço

E foi jantar sem pensar em como pagar o almoço.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

saraucos

disse eu a meu rapaz:

nada de jaz
eu sou seu cais
um porto nada seguro
onde a onda vem e vai
num segundo

vem, vem cá meu rapaz.

meu rapaz  prolixo então me disse:

você queria um homem
tens um rapaz
eu queria um porto seguro
não pretendes ser o meu cais

navego mares obscuros
procuro tesouros, encontro jamais
tens o silvo suave das serenas
mas a busca é um engano palpável e sagaz
travo batalhas para provar
o que não é minha culpa não escapar

quem sabe se eu fosse pirata
poderia então te encantar
escorbuto na boca, espada a brilhar
ir contra o que é certo só aceito
se aquela que é errada me amar

sexta-feira, 15 de julho de 2011

poema do olo.

o mar pedra azul
te levei pra navegar
o mar disse não.

o mar coração
tão dopado de razão
não sabe amar

o mar poesia
cantou minha partida
voz de sereia

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Carregou-os no ombro:
os degraus, unidos numa ripa vertical
Trouxe à frente da lua e alçou-se.
Subitamente tocava-a.
Lá, abaixo, sabia que não lhe havia lugar:
O frio da lua, mais quente que a rua.
Lençol alvo, um canto imundo.
Não o querem mais.
Lá do alto, a lua.
A lua...

terça-feira, 21 de junho de 2011


Abriu o dia cedo.

Sol lancinante cerrou a visão.

Bote no rio seco não faz travessia.

Foi com os pés machucados à sombra que estava do lado de lá.

Não emitiu um grunhido, um suspiro, um grito, um apelo, sequer um pedido.

Seguiu mais só que o sol: os dois sós.

No meio do caminho...

Caiu.

Virou-se para o seu companheiro solitário.

Abriu os olhos queimados.

Uma sombra surgiu.

E esta estendeu-lhe amizade com a mão:

Muito agradecido e com os olhos umidecidos...

uma gota caiu...

e molhou a travessia seca transformando-a em rio.